terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A questão étnica e o racismo hoje!



Por: João Deyvid;


Aqueles que me conhecem ou mantém contato comigo via web sabem que um tema recorrente de minha verborragia é a questão étnica, as relações etno-sociais, o Racismo e suas implicações, políticas, psicológicas e etc, esta discussão se mostra redundante em meu diálogo em decorrência de sua importância e do peso que esta sem sobre a sociedade, que na maioria das vezes fecha os olhos para esta problemática, é mais cômodo fingir que a questão da discriminação em nosso País é social, ou fruto de um sentimento de inferioridade do individuo negro, porém para aqueles que dedicam parte de seu tempo para um estudo sociológico, ainda que tenha como ferramenta de estudo o senso comum, é visível um sistema excludente, segregador e explorador em nossa sociedade que tenta manter a sociedade negra estagnada e a margem dos direitos da pessoa humana, mas para adentrarmos no viés dessa discussão, temos que fazer alguns esclarecimentos:

Racismo o que é?

O racismo é um preconceito contra um “grupo racial”, geralmente diferente daquele a que pertence o sujeito, e, como tal, é uma atitude subjectiva gerada por uma sequência de mecanismos sociais.
Um grupo social dominante, seja em aspectos econômicos ou numéricos, sente a necessidade de se distanciar de outro grupo que, por razões históricas, possui tradições ou comportamentos diferentes. A partir daí, esse grupo dominante constrói um mito sobre o outro grupo, que pode ser relacionado à crença de superioridade ou de iniquidade.
Nesse contexto, a falta de análise crítica, a aceitação cega do mito gerado dentro do próprio grupo e a necessidade de continuar ligado ao seu próprio grupo levam à propagação do mito ao longo das gerações. O mito torna-se, a partir de então, parte do “status quo”, fator responsável pela difusão de valores morais como o "certo" e o "errado", o "aceito" e o "não-aceito", o "bom" e o "ruim", entre outros. Esses valores são aceitos sem uma análise onto-axiológica do seu fundamento, propagando-se por influência da coerção social e se sustentando pelo pensamento conformista de que "sempre foi assim".
Finalmente, o mecanismo subliminar da aceitação permite mascarar o prejuízo em que se baseia a discriminação, fornecendo bases axiológicas para a sustentação de um algo maior, de posturas mais radicais, como as atitudes violentas e mesmo criminosas contra membros do outro grupo.
Convém ressaltar que o racismo nem sempre ocorre de forma explícita. Além disso, existem casos em que a prática do racismo é sustentada pelo aval dos objetos de preconceito na medida que também se satiriza racialmente e/ou consente a prática racista, de uma forma geral.

Negro Racista?

O indivíduo Negro não pode ser racista, existe aí uma impossibilidade etimológica, um negro (até em auto-defesa contra a sociedade racista ) pode insurgir-se contra os brancos, mas aí teríamos um caso discriminatório e não racista, pois para cometer racismo (não confundir com o ato de discriminação) o sujeito da ação deve estar no topo da escala hierarquíca socio-histórica (como o branco) e do ponto de vista histórico, cultural e social não há efetivamente nenhuma probabilidade de que brancos no Brasil sofram racismo, na definição de racismo vemos que este deve ser seguido de uma série de mecanismos sociais, tal qual a doutrina católica medieval de que o negro não possuía alma, teorias sobre o baixa intelectualidade dos negros, demonização da cultura africana entre outros vários exemplos de ferramentas usadas para criar o afropessimismo (visão pessimista sobre os negros, seus costumes, estética e tradições, teorias criadas para manter o domínio branco em todas as camadas do convívio social e que perdura até hoje).

O mito da democracia Racial

O mito da democracia Racial foi criado pela elite Brasileira como forma de dominação, e arma para manter os negros e a sociedade em geral conformada com a situação do negro, desde o primeiro encontro entre o colonizador português, o escravo africano e o nativo indígena, a fábula das três raças é contada de geração a geração, propagando o fato de que o povo brasileiro é resultante da mistura entre brancos, negros e índios. Essa ideia traz em sua essência a crença de que o Brasil, fruto desta mistura, é um lugar onde as relações ocorrem de forma harmônica e pacífica, em um verdadeiro éden de respeito racial e humano.
Segundo essa tese, a partir da mistura da raça branca (superior) e da raça negra (inferior), haveria um melhoramento da genética dos brasileiros. Este ideal de branqueamento foi incutido na sociedade brasileira ao longo de toda sua história, de tal maneira, que levou o próprio negro à sua auto negação, levando a uma fragmentação das identidades raciais no país.
essa situação possibilitou às elites brasileiras, que comandavam o país, difundir a idéia de que o Brasil era livre de preconceitos e discriminação racial. As circunstâncias histórico-sociais apontadas fizeram com que esse mito manipulasse os mecanismos sociais através da defesa dissimulada de atitudes, comportamentos e ideais aristocráticos da raça “dominante”.
O mito da democracia racial possibilitou que uma das formas mais perversas de racismo se propagasse no Brasil, aquela mascarada pelo status democrático, cuja aceitação e compreensão das diferenças não passam de pura dissimulação.
Alguns estudiosos apontam que este mito teria sido um dos mecanismos de dominação ideológica mais poderosos produzidos no país, tanto que, apesar de toda a crítica que a ele foi feita, o mito permanece bem atual.

Racismo Hoje

Podemos constatar que o racismo é a representação de uma desigualdade étnico-racial que atinge o Brasil de forma vergonhosa e assustadora desde o período colonial. A raça negra foi cruelmente massacrada, humilhada e escravizada com base no racismo. Os livros de história contam detalhadamente os episódios de sofrimento e servidão deste povo, mas não expõem a história da África e do povo negro antes da escravidão. Existe uma grande lacuna a este respeito. Os livros didáticos, na sua grande maioria, dão maior ênfase aos episódios de humilhação e dor ocorridos com os negros no Brasil, mas não relatam as conquistas e como era a vida deste povo, quando em liberdade na África. Vale lembrar que, deste continente, surgiram grandes civilizações. A história desta raça, suas origens, cultura e antepassados, merecem respeito e atenção.A criança negra, na escola, só tem acesso à história de seus antepassados como um povo escravo, humilhado e inferior. Então, é compreensível que queira esconder ou anular suas origens e sua cor. Os colegas de classe dessa criança, pertencentes a outras raças, aprenderão o mesmo conteúdo racista, desencadeando todo um processo de preconceito étnico e racial. As escolas ensinam que os negros foram escravos e que, no dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel do Brasil e o conselheiro Rodrigo Augusto da Silva assinaram a Lei Áurea extinguindo assim, a escravidão no Brasil. Mas, a abolição não ocorreu efetivamente, pois, ainda hoje, o negro é visto como subalterno e de raça inferior. E, as principais mantenedoras deste "status quo" é a educação e a mídia.

Bibliografia:

FERNANDES, Florestan, O Mito Revelado, art. Publicado em Folhetim de São Paulo, 1980, reeditado na Revista Espaço Acadêmico Ano II nº 26 – 2003.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio. Classes, raças e democracia. São Paulo: Editora 34, 2002.
DA MATA, Roberto – “A Fábula das 3 Raças ...” in Relativizando. RJ, Rocco, 1987



terça-feira, 10 de novembro de 2009

Filme- Besouro o herói negro!

Por João Deyvid;

Inspirado em fatos reais, Besouro será um filme de aventura, paixão, misticismo e coragem sobre este personagem real que se tornou lenda. A proposta é que ele seja para capoeira o que o " Herói e O Tigre e o Dragão" foram para as artes marciais orientais: um espetáculo de aventura, onde a paixão, o misticismo e a emoção têm papel central. Besouro (Ailton Carmo) foi o maior capoeirista de todos os tempos. Um menino que - ao se identificar com o inseto que ao voar desafia as leis da física - desafia ele mesmo as leis do preconceito e da opressão. Passado no Recôncavo dos anos 20. Uma história imortalizada por gerações, que chega aos cinemas com ação e poesia no cenário deslumbrante do Recôncavo Baiano. Nem preciso dizer que minhas expectativas são enormes.

Trailer: http://www.besouroofilme.com.br/







segunda-feira, 9 de novembro de 2009



Por: João Deyvid;

"Ser ou não ser eis a questão", "há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia", "há algo de podre no Reino da Dinamarca" se você não conhece essas citações com certeza você é um visitante de outro mundo onde o grande dramaturgo Inglês não existiu, ou então você está culturalmente morto. Esta é uma das peças mais famosas de Shakespeare e a que mais divaga pelos conceitos filosóficos que regem a mente humana. Hamlet é o espelho da insegurança humana.

Após terminar seus estudos Hamlet, Príncipe da Dinamarca, retorna para o Palácio de Elsinore e encontra seu tio Claudius casado com Gertrude, sua mãe. Bernardo, Horatio e Marcellus três amigos de Hamlet, falam a ele sobre um fantasma que parece ser seu falecido pai, que morreu há poucos meses. Hamlet acaba vendo aparição e a segue através do bosque. Ao encontrá-la, ela diz que precisa ser vingado, pois, apesar de se ter tido que o falecido monarca morreu devido à uma picada de cobra, a aparição afirma que a serpente que picou seu pai usa agora sua coroa e que, de uma única vez, tudo lhe foi tirado: a vida, a coroa e a rainha. Hamlet jura vingança e quando o rei e a rainha mandam vir amigos de Hamlet, para ver o que está errado com ele, o jovem príncipe assume um ar de louco, neste misto de vingança e auto-conhecimento William Shakespeare visita várias facetas da personalidade humana em uma de suas maiores obras, este é mais um dos seletos livros que tenho em minha mais alta estima. Recomendo a todos.

sábado, 7 de novembro de 2009

Kick Ass




Por: João Deyvid;

Imagine que um dia qualquer um adolescente que lê gibis de heróis questione: "por que ninguém nunca resolveu colocou um uniforme e saiu as ruas para combater o crime?, enfrentando gangsters, ladrões e outros criminosos apenas com a cara a coragem e o que tiver na mão?" o senso comum diria: porque é idiotice e morte certa! mas para Dave Lizewski isto é exatamente o correto a se fazer diante de um mundo como o nosso, mas você pode estar pensando que esta premissa já foi abordada em filmes como o batman, demolidor e outros, ok mas diferencial de kick Ass está no fato de ser ambientado num mundo igual ao nosso, onde pessoas comuns são apenas pessoas comuns, sujeitas a uma boa surra, tiração de sarro (afinal uniformes de quadrinhos são ridículos em sua maioria) ou a morte quase certa. A adaptação ao cinema da HQ escrita por Mark Millar e desenhada por John Romita Jr. O filme está tem previsão de sair em 2010, vamos torcer para que seja tudo que promete ser!

Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Nicolas Cage, Chloë Moretz, Lyndsy Fonseca e Duke Clark estão no elenco. A HQ saiu nos EUA pela linha Marvel Icon e permanece inédita no Brasil.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

TV- Malcom X na Band



Por: João Deyvid;

A Band vai exibir nesse sábado ás 22ho filme Biografico do famoso líder afro-americano Malcom X(Denzel Washington no Papel) que teve o pai, um pastor, assassinado pela Klu Klux Klan e sua mãe internada por insanidade. Ele foi um malandro de rua e enquanto esteve preso descobriu o islamismo. Malcolm faz sua conversão religiosa como um discípulo messiânico de Elijah Mohammed (Al Freeman Jr.). Ele se torna um fervoroso orador do movimento e se casa com Betty Shabazz (Angela Bassett). Malcolm X ora uma doutrina de ódio contra o homem branco até que, anos mais tarde, quando fez uma peregrinação à Meca abranda suas convicções. Foi nesta época que se converteu ao original islamismo e se tornou um "Sunni Muslim", mudando o nome para El-Hajj Malik Al-Shabazz, mas o esforço de quebrar o rígido dogma da Nação Islã teve trágicos resultados. Uma bela História de um homem que à sua maneira lutou incesantemente para defender seus irmãos negros da opressão de um País marcado pela segregação Racial.


Malcom x

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Filosofia Quadrinesca

Por: João Deyvid;
Hoje pela manhã no meu trabalho, uma colega de trabalho disse-me que estava a procura de um livro para seu filho de 11 anos ler durante as férias, eu afirmei que sim possuía alguns livros infantis, mas recomendei que ela desse gibis para o garoto, ela me olhou meio torto com aquele ar de desconfiança (natural de pais preocupados com o aprendizado de seus filhos) e eu completei dizendo que os quadrinhos tinham grande conteúdo relevante, além de aprimorar a escrita, a fala e etc. Ademais, ao sair do trabalho o assunto assombrou-me como um "fantasma do natal passado" pedindo por uma postagem, afinal Quadrinhos estão recheados de conhecimento Cultural, histórico, biológico, antropológico e científico em geral (vide Will Eisner, Alan Moore, Warren ellis, Vaukghan e etc) , na maioria das vezes contemplo mais "riqueza" nos quadrinhos do que nos chamados livros infantis que geralmente limitam-se muito, subestimando a capacidade cognitiva de nossas crianças, mas o acontecido devorou minha mente como um tigre voraz, acompanhado de um menino loiro e levado, sim ele mesmo o Calvin (Calvin e hobbes no original fazendo alusão a João Calvino reformador religioso do século XVI e a Thomas Hobbes famoso filósofo do século XVII ) criado por Bill Watterson o menino e seu urso de pelúcia sempre se deparam com questões filosóficas, políticas ou simplesmente lugares comuns do pensamento, uma forma divertida de refletir sobre questões pertinentes ao ser humano.
Calvin é um garoto de seis anos de idade cheio de personalidade, que tem como companheiro Hobbes, um tigre sábio e sardónico, que para ele está tão vivo como um amigo verdadeiro, mas para os outros não é mais que um tigre de pelúcia. De acordo com algumas visões, as fantasias mirabolantes de Calvin constituem frequentemente uma fuga à cruel realidade do mundo moderno para a personagem e uma oportunidade de explorar a natureza humana para Bill Watterson.
Abaixo algumas das tiras do Calvin:



Mais tiras:

Filme- Príncipe da Pérsia


Por: João Deyvid;

Em Breve teremos mais uma Adaptação para o cinema, desta vez é Prince of Persia: The Sands of Time, do game da Ubisoft. Na trama, o vilão Nizam (Ben Kingsley) arma o assassinato de seu irmão, Shahrman, o soberano de Pérsia, e bota a culpa no príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal) para poder assumir o trono. Alfred Molina também está no elenco. Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo, O Amor nos Tempos do Cólera) dirige o filme, que tem estreia prevista para 28 de maio de 2010.

Veja o trailer aqui.